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quinta-feira, 18 de junho de 2009

FLOR DO CARDO

dói-me ser a Flor do Cardo
não ter a mão de ninguém
tenho a estranha natureza
de florir com a tristeza
e com ela me dar bem

dói-me o Tejo e dói-me a Lua
dói-me a luz dessa aguarela
tudo o que foi criação
se transforma em solidão
visto da minha janela

o tempo não me diz nada
já nada em mim se consome
não sou principio nem fim
já nada chama por mim
até me dói o meu nome

dói-me ser a Flor do Cardo
não ter a mão de ninguém
hei-de ser Cravo Encarnado
que vive em pé separado
e acaba na mão de alguém

Música: Joaquim Campos (Fado Tango)

11 comentários:

Lena disse...

Fado triste, o do triste fado da Flor do Cardo...

Mas tão bonito, porém...
Beijo.

Solange Maia disse...

Há uma Flor do Cardo dentro de cada um de nós...

E há um gigante em você João...

Parabéns, como sempre !!!

Beijo,

Solange

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com

San disse...

...e na voz da Aldina ainda dói mais, redimindo-se ao mesmo tempo!

glória disse...

essa Flor do Cardo é uma fresta de solidão que desliza no tempo, seu poema é um fado com um punhado de sentimentos. bjs

Lu Maia disse...

Lindo a Flor de Cardo , com sutileza adoraria me tornar uma seguidora do belo trabalho que vejo em seu blog. Luciana Maia
convido para uma longa e nova viajem no meu...
http://renascerdapropriaforca.blogspot.com/

Paula Raposo disse...

Nem sei que diga! Que gostei...pois claro. Beijos.

Franzé Oliveira disse...

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Batom e poesias disse...

Não conhecia a Flor do cardo e imagino mesmo que seja mesmo doloroso essa solidão de terminar em espinhos.
Ainda assim é uma linda flor...

Teu poema também!

beijos poeta.
Rossana

LM disse...

Ouvi hoje na Rtp2 este poema cantando pela Idalina Duarte e cheguei aqui na procura dele e doutros que me apaixonaram á primeira palavra. (Já não saio mais daqui.) ;)

LM disse...

Aldina, é Aldina Duarte! (Caramba!)

Anónimo disse...

João: Foi você que escreveu este belíssimo poema onde me encontro inteiramente! Chego mesmo a pensar que foi escrito por mim ou para mim!