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domingo, 25 de janeiro de 2009

VERTIGEM

Ouço vozes, doutor
Gosto de ti, meu amor
gritos de estranhos lugares
da paz depois do teu cio
de línguas que nunca ouvi
mas sangro do teu feitio
Ouço vozes, doutor
das lavas desse interior
lamentos que não pari
que queimam tudo o que dizes
Os meus ossos são altares
Mas quando só, penso em nós
ao eco de qualquer dor
penso no voo das perdizes
Tenho o meu corpo alugado
na linha recta de um tiro
a vidas que não vivi
E é para ti que me viro.
Será doença, doutor?
Será paixão, meu amor?

9 comentários:

Anónimo disse...

Que coisa linda que tu escreveste, rapaz...

zoltrix disse...

perfeito para um Jogral!!!
Vozes...?
Lindo demais...

MariaIvone disse...

Um poema, infinitas leituras...
João Monge, a versatilidade do que escreves até me põe a cabeça a andar à roda. Serão vertigens?

Paula Raposo disse...

Que vertigem mais bela!! Muitos beijos.

Silvestre Gavinha disse...

Dois poemas conversando.
QUe brilhante triste e revelador diálogo.
Marie

San disse...

- «não se nasce impunemente no alentejo!»
-«fado de poeta?»

Aldina Duarte disse...

(...)Eu hei-de ser das cerejas
Da vertugem dos cardumes
Do mistério dos pardais
Hei-de ser o que tu sejas
Aquilo em que te resumes
As orações naturais(..),João Monge.

Eu hei-de ser, sempre, da vertigem da tua poesia, uma nota de música que seja! E muito agradecida, por isso mesmo.

Beijinhos

Aldina Duarte disse...

gralha: Da vertigem dos cardumes...

Anónimo disse...

Que multiplicidade de leituras.....

Lindo! Adorei!

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