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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PAPOILAS E ROMÃS

Nasceram-me romãs nos dedos
E papoilas no nariz

Acorda! Mamã, acorda!

Tenho os lençóis a pegar
E uma corda de enrolar que me puxa pela cinta.

Acorda, mamã! Acorda!

Já estou farto de chorar, de chamar pelo teu nome...
Como te chamas, mamã?
Tenho fome...

Lava-me as mãos e a cara
das papoilas e romãs
Embala-me todas as noites, ensina-me a descansar
e eu juro que vou chamar
por ti,
todas as manhãs

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Com esta das romãs deixaste-me sem comentário...gostei. Beijos.

Lena disse...

Ai as nossas mães... limpam-nos das romãs e das papoilas, para nos encherem de pétalas de rosa.

Anónimo disse...

Concordo com a Lena. Por isso, devemos dar às mâes Cravos Vermelhos.
Bj
MM

peciscas disse...

Nunca me esquecerá um comentário que me deixaste em tempos, quando, lá no meu Peciscas me referia à morte da minha mãe Maria José.
Nessa altura deixaste-me com os olhos embaciados.
E como essa emoção está de regresso após ter lido este poema, vou disfarçar:
-mas que tolice, João!... Então não sabes que as romãs nascem numa árvore e as papoilas nos trigais?