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quinta-feira, 6 de maio de 2010

A GAVETA DO POETA

A gaveta do poeta não tem fundo
Tem lá tudo o que não quer
e aquilo que há-de ser:
os alinhavos do mundo

Tem postais de mil locais
e um resto de maçã
Há sempre num canto qualquer
logo depois de amanhã
um retrato de mulher

Tem o caos lá de guarida
e um papel vacinado
tem o mar todo entornado
e uma estrela de semente
Tem num saco lacrimal
a caneta preferida
com a dor da sua gente

E tem a casa deserta
o palhaço o avião
e um sorriso tão antigo
que escondeu da multidão
Tem o medo o embaraço
até o sonho tem espaço
Só não tem medida certa
nem barco de salvação

É por isso que a gaveta do poeta
não tem fundo e está aberta
porque não tem hora certa
para sair o coração

2 comentários:

Batom e poesias disse...

...e rascunhos de versos empoeirados...
Na gaveta do poeta tem poesia.

Lindo meu poeta.
Lindo1

bjs
rossana

contagotas disse...

João
Já abri não sei quantas vezes a janela dos comentários e fechei-a de seguida. Sabes porquê? Estou sem jeito!
Tudo o que disser não será mais do que repetir o que já disse anteriormente ácerca dos teus poemas: São lindos!

Beijos