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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ANTÓNIMO DO NASCIMENTO

Eu sou sinónimo de tudo
O que foi e que há-de ser
Que tem nome e não tem nome
Filho de homem e mulher

O chicote, o que tem dó
O que vê e está na montra
Do contra a quem é pró
E do pró a quem é contra

E é por causa deste meu lamento
Que eu sou Antónimo do Nascimento

Sou a sina da bala perdida
O remorso e o poder
A metáfora da vida
Filho de homem e mulher

Filho do fogo e do mar
Asa de anjo e de falcão
De morrer e de matar
Ponto de exclamação!

E é por causa deste meu lamento
Que eu sou Antónimo do Nascimento

A estúpida maravilha
Inventor da própria dor
O conteúdo e a vasilha
Criação e criador

Ponto de interrogação
No ventre de minha mãe
Tenho o nome que me dão
E o contrário também

E é por causa deste meu lamento
Que eu sou Antónimo do Nascimento


Música: João Gil

5 comentários:

Arte disse...

Que belo Fado!

Sempre à coca e a torcer pra este blog não pare...

Beijinhos

Aldina Duarte disse...

gralha:) P'ra que este blog...

Anónimo disse...

Eu sou antónima de tudo
O que não venha do coração...
Depois de ler o teu poema,
deixei de me chamar Lena,
Pr'a ser Sinónima d'Admiração!

Um beijo!
Fico à espera de mais.

San disse...

ser tudo (isso) e o seu contrário, nem que seja o tempo de um fado...

Aldina Duarte disse...

opss... pensei que já cá estava outro poema!

Mas porque raio é que apareci com aquele registo Arte? Neste blog arte fica sempre bem,porém, não me pertence o registo!? Mistérios informático/poéticos espicaçam a curiosidade dos comentadores assíduos, o que também tem o seu Qê de fado:-)

Beijinhos