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domingo, 28 de dezembro de 2008

CHOVEU SANGUE EM AL- MADAN

Choveu sangue em Al-Madan
e as mulheres saíram à rua para povoar o silêncio circular do medo
A mulher de negro pariu uma pomba da voz
e a lua ficou vermelha de vergonha e reflexo
Todos os amantes perderam o norte, o oiro, o nexo e o segredo

Como bandos de pardais extintos subiram aos telhados
vermelhos de sangue e barro
Amantes crucificados
Filhos da pomba parida das entranhas da manhã
Beijam os lábios em ferida…
e choveu sangue em Al-Madan

-Matem a pomba, a lembrança!
Todo o amor é loucura!
-Matem essa falsa esperança
Que só voa e não perdura!

E a mulher de ventre aberto
Mãe de negro ainda em ferida
Se um dia sou mãe da morte, um dia sou mãe da vida
Empunhando a cimitarra cintilante de romã
rasgou entre as duas asas a boca de uma guitarra

Fez-se um silêncio vermelho
E choveu sangue em Al-Madan

4 comentários:

Silvestre Gavinha disse...

Nossa, que lindo isso. Cheio de imagens que tanto conheço. Uma música da qual vou sempre sentir falta.

-Matem a pomba, a lembrança!
Todo o amor é loucura!
-Matem essa falsa esperança
Que só voa e não perdura!

Por que asssim e só assim nos leva adiante.
Como Betânia: "nada além de uma ilusão, chega bem. É demais para o meu coração.

Obrigada pela acolhida e retribuição da visita. Tua casa é uma delícia. Portuguesa com certeza. E muito me apraz sua versalhação.
Grande abraço

Marie

André disse...

Que imagens. Fantástico. Desconhecia por completo!
Um excelente 2009

San disse...

é preciso que chova sangue, é preciso que o silêncio seja vermelho, é preciso que as mulheres saiam à rua, para que o silêncio não se torne branco, amortalhado na raiva e na impotência!
e é preciso que tu continues a escrever...

zoltrix disse...

em Al-madan ,o sangue derramado regou o chão dos poetas futuros
por isso te encontraremos lá
olhando a sul
em al-madan