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domingo, 26 de abril de 2009

JURO QUE A VI, CAMARADA!

Juro que a vi, camarada!...
Vi-a com estes que a terra há-de comer
Tinha maçãs distantes no olhar
crepitante como um fruto latente

Sabes o que é um fruto latente, camarada?
É qualquer coisa que o não é
já o sendo por inteiro.
Olha, o sacana do Neruda,
-O da Desesperada-
teria escrito o vigésimo primeiro...

Juro que a vi, camarada!...
Triste de ser amanhã
que me matou de tardio.
Era um olhar triste de inverno, e eu cheguei pelo estio

Chego sempre depois,
tantos anos depois...
E eu queria tanto oferecer-lhe as rosas da madrugada...
Queria aquele olhar cansado
a florir dentro dos dois

Eu chego sempre depois,
sempre depois
Mas juro que a vi, camarada!

8 comentários:

Batom e poesias disse...

"É qualquer coisa que o não é
já so sendo por inteiro."

Isso é um pouco/muito do que sou.
Uma coisa que o não é.
Você me viu também.
Então existo.

Também adoro o que escreve.
beijos poeta
Rossana

Paula Raposo disse...

Gosto de te ler...mesmo que chegues sempre depois!! Beijos.

San disse...

antes tarde que cedo demais...

glória disse...

essas rosas que permanecem vivas mesmo no compasso de um tempo que não é de espera. aquele que chega depois, permanece como andarilho desse lugar suspenso no tempo. Que tempo não é João? o nosso nada tem a ver com o do calendário. bjs e bom domingo.eu amo teus poemas, eles me embalam.

mariaivone disse...

Quem chega sempre depois sou eu.
E isso não é bom.
A qualidade dos comentários anteriores colocam a fasquia tão alta que nem que eu fizesse um triplo mortal de costas empranchado e caísse de pés juntos quase sem dobrar os joelhos, conseguiria brilhar. Por isso eu nem tento, saio de mansinho, quase que entorpecida, mas acreditando que a viste. Não era preciso jurar!

com senso disse...

Que belissimo poema.
Pleno de lirismo e de significado.
Este até poderia ser o tal que o Pablo não desdenharia para vigésimo primeiro!

Magnifico!

zoltrix disse...

e não a vimos todos?
alguns , pelo menos?
a nunca mais a esquecemos!
e continuamos a procurar!

peciscas disse...

Eu sei que a viste, camarada e irmão de sensibilidades e de gostos.
Eu sei que a viste porque confio na precisão desses olhos de poeta com que vislumbras o mundo.
Eu sei que a viste.
E, provavelmente só tu a viste, mesmo que digas que chegaste depois.