AQUI HÁ

sábado, 28 de março de 2009

A ESTAÇÃO DOS LÍRIOS

Quem me espera toda a vida?
Desde o dia em que nascida
a vida é só uma passagem...
É um fado que começa,
é um rio que se atravessa
sem se ver a outra margem

O lírio sabe que parte
e por isso tem a arte
de espalhar lírios ao vento
Não há mais luz nem tristeza
que os saberes da natureza
e que não são pensamento

Quem me espera toda a vida?
Aquela estrela escondida
que sempre chamou por mim...
Será que há outro lugar
além da poeira estelar?...
Às vezes penso que sim...

Não me deixes nesta hora
em que a estrela não demora
e o lírio tem a estação
A fé que há mais futuro
e este medo do escuro
que ao menos façam razão

Música: José Bacalhau (Fado Bacalhau)

8 comentários:

mariaivone disse...

Para que não te falte nada e porque a mim nada faltou, na leitura compassada dos poemas que partilhas:
Bêjos grandes, migo!

Lena disse...

E se houver "outro lugar
além da poeira estelar",
não preciso de um delírio,
Basta-me que tenha um lírio,
para quando eu lá chegar.

O teu poema é lindo!
Beijo.

San disse...

sempre achei que a oração era a forma mais nua e despojada de falarmos connosco. fazê-lo, convocando a terra e o céu, é de Mestre, caraças!

Paula Raposo disse...

Lindo o teu poema!! Como sempre...beijos.

Anónimo disse...

Gosto do teu poema, especialmente porque fala dos lírios.....

Bonita esta entrada que está em cima!.....

Bjos Ema

glória disse...

a estrela è o brilho que move essa see eterna de criaçao. Viajando aqui pela Europa, pertinho de tua cidade, bjs, belo poema.

peciscas disse...

É porque temos medo do escuro que queremos que haja mais futuro.
Mas
Será que há outro lugar
além da poeira estelar?

Só verdadeiramente o saberemos, quando chegarmos à outra margem.Ou nunca saberemos?

Tchi disse...

Correntes do destino entre margens, entre céu e terra.