AQUI HÁ

segunda-feira, 30 de março de 2009

NAU

nau de pele e sal em vão sustento
e árvore de vento no quadris
onde adivinho o peito da perdiz
e a lenta fome de que me alimento

mais que mel a rosa é cristalino
da mão que destemida te consome
enquanto fazes carne do meu nome
e do céu da boca o meu destino

pela cintura me queres asilado
ao ponto onde a luz é verbo alado
e as veias correm no mesmo sentido

até que as ancas desse mar rosado
me dão à terra o corpo regressado
desta pequena morte renascido

6 comentários:

Batom e poesias disse...

"enquanto fazes carne do meu nome
e do céu da boca o meu destino"

Um homem de tantas e belas palavras, não podem deixar faltá-las quando visitar a minha casa...

Suas palavras me interessam.

Grande beijo

Rossana

Paula Raposo disse...

Belo poema de amor...gosto de te ler. Beijos.

peciscas disse...

Nessa nau também me vejo a navegar.

mariaivone disse...

Que nau!?

É como dobrar o Cabo das Tormentas, velejar em mar chão após a tempestade abandonando o corpo na areia húmida

Pequenas mortes que nos preenchem a vida!

Soneto lindo, espero mais na "estação dos lírios"

Anónimo disse...

"Pela cintura me queres asilado ao ponto onde a luz é verbo alado".

Gostei!!

Ema

Tchi disse...

Assim se diz o amor.