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quarta-feira, 1 de abril de 2009

FALA CLANDESTINA

Habitas refúgio das palavras
O ninho dos verbos clandestinos
Onde elas são a terra que tu lavras
E nascem para ter outros destinos

Aí se faz o luto das batalhas
Aí se lava o sangue das orgias
Aí se fecham todas as navalhas
Aí se faz a paz todos os dias

Dizes terra para dizer calor
Calor para dizer o pão
O pão para dizer amor
Amor para dizer joão

É dessa tua fala clandestina
Que usa o alfabeto dos sentidos
Que as montanhas falam em surdina
E os oceanos enchem os ouvidos

Aí se faz o luto das batalhas
Aí se lava o sangue das orgias
Aí se fecham todas as navalhas
Aí se faz a paz todos os dias

Dizes terra para dizer calor
Calor para dizer o pão
O pão para dizer amor
Amor para dizer joão

Música: Jorge Prendas

10 comentários:

San disse...

para quando a publicação? o lugar da tua poesia não pode ser apenas a voz de quem a canta ou o ecrã dos nossos monitores. não está certo. nem é justo.

Anónimo disse...

Bem visto, concordo com a San.

Parabéns, mesmo!

peciscas disse...

As palavras, por vezes são um mero disfarce, um pretexto para não nos desnudarmos totalmente.

mariaivone disse...

Que bonito João!
Quantos alfabetos se descobrem nestas clandestinidades partilhadas.

Solange Maia disse...

Quantas vezes não dizemos isto, querendo mesmo é dizer aquilo ?!...

João, você é sábio, é poeta, é divino !!!!

Beijo especial,

Solange

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com

Mário Lopes disse...

A San tem toda a razão. Para quando João Monge? A não ser que entenda que já é suficientemente reconfortante que os seus poemas sejam espalhados ao vento como os lírios, na voz de cantores como a Aldina. Até seria uma honra, nós sabemos. Mas, não é justo. O João Monge merece mais.

Tchi disse...

Fala a uma só voz.

Tchi disse...

Belíssima porta de entrada. Como o abandonado se pode tornar belo.

Luminosa foto.

Batom e poesias disse...

João

Se o poema é bom por si só e a música também, quem consegue acasalar ele e ela é bem mais que iluminado.

É sempre esperado que um poeta publique, mas para ser cantado, seus versos tem que ser especiais.

Não conheço a música, mas o poema é belíssimo.

Anónimo disse...

Concordo com todos. Os teus poemas são bons demais para serem só cantados. Quero tê-los todos num livro para pôr na minha mesinha de cabeceira.

Bj

MM
PS: as editoras de livros devem andar distraídas para não andarem atrás de ti.